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Entendendo as festas litúrgicas

Adoração da Cruz e Impropérios

Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: John Nascimento
Transmissão: Rogério Hirota (SacroSancttus)

Nos fins do século IV a Adoração da Cruz foi introduzida nas tradições da
Sexta-Feira Santa em Jerusalém.

Segundo a história, ou talvez com algo de lendário à mistura, Helena, a mãe
do primeiro Imperador cristão, Constantino, descobriu na área de Jerusalém a
verdadeira cruz em que Cristo tinha sido crucificado.

Desde então tornou-se tradicional em Jerusalém, expor esta sagrada relíquia
à veneração e adoração dos fiéis, que se aproximavam dela e a beijavam.

Mais tarde este costume, bem como pequeninos pedaços da cruz, espalharam-se por todo o Império Romano.

No século VIII este hábito de adorar a cruz do Salvador foi incorporado na
Liturgia e hoje, a lenta e piedosa procissão da Adoração da Cruz faz parte
da Liturgia da Sexta-Feira Santa.

Antes do Concílio Vaticano II, era costume, para os ministros do altar e para os fiéis que se quisessem associar a esta cerimónia da Adoração da Cruz, tirarem os sapatos.

Depois faziam-se três genuflexões duplas, antes de se beijar a cruz ou o
Senhor crucificado.

Mais recentemente esta cerimónia ficou simplificada.

Ninguém se descalça e faz-se apenas uma genuflexão simples perante a Cruz
que se vai beijar.

Permanece todavia o antigo costume de se desnudar a cruz por três vezes, um pouco de cada vez, à medida que a procissão se encaminha para o altar e, de cada vez , o Ministro canta :

- “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”.

De cada vez, sobe o tom da entoação e os fiéis vão respondendo no mesmo tom :

- “Vinde adoremos”.

PROSTRAÇÃO

É uma intensa, total e dramática expressão de adoração, de penitência e de súplica.

Era comum entre os povos mais antigos e passou depois para a tradição cristã.

Jesus também orou no Jardim das Oliveiras, prostrado, na noite antes da sua morte :

- “E, adiantando-Se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo : Meu Pai, se é possível passe de Mim este cálice, todavia não seja como Eu quero, mas como Tu quiseres”. (Mt. 26,39).

Até aos princípios da Idade Média, fazia-se uma prostração completa antes da celebração da Santa Missa, e disso há apenas uma reminiscência no princípio da celebração litúrgica de Sexta-Feira Santa.

Antes da Reforma Litúrgica havia várias ocasiões em que se faziam adorações profundas (genuflexão com os dois joelhos) como na adoração da Cruz e na presença do Santíssimo Sacramento exposto.

Presentemente só se faz uma genuflexão simples, isto é, só com um joelho, mesmo na presença do Santíssimo Sacramento exposto. (Instrução geral para a Sagrada Comunhão e para o culto da Eucaristia fora da Missa n. 84).

IMPROPÉRIOS

Por definição, um Impropério é uma acusação ultrajante, uma censura áspera, um vitupério.

Os Impropérios são os cânticos religiosos da adoração da Cruz em Sexta-Feira Santa, que reflectem as queixas de Cristo dirigindo-se aos Judeus :

- “Meu povo, que te fiz Eu ? Em que te contristei ? Responde-Me. Libertei-te
do Egipto: e tu preparaste uma Cruz ao teu Salvador”...

Pensa-se que se fundamentam em Miqueias :

- “Povo Meu, que te fiz, ou em que te contristei? Responde-me. Tirei-te da terra do Egipto, livrei-te da casa da escravidão, e enviei diante de ti, Moisés, Aarão e Maria”... (Miq.6,3).

Os Impropérios datam desde o século VII e ainda hoje se usam embora sejam
opcionais.

Durante algum tempo foram desencorajados por representarem uma atitude
anti-semítica.

Mas para os católicos significam um convite aos duros de coração e aos que
necessitam de arrependimento.

John Nascimento