Formacao Catolica
A festa do Carnaval
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: Padre Luiz
A festa do Carnaval
18/02/2004 - 11:52:39
Quase sempre me perguntam sobre o que acho da festa do carnaval. Pensam
que já de princípio, deveria ser contra e inapropriadamente, sair
destilando críticas que possam significar a condenação
dessa que é a maior festa popular do Brasil.
Procuro sempre responder pondo na balança os prós e contras
desse assunto e começo quase sempre, pedindo que o interlocutor se desarme
de qualquer pré-conceito.
Em primeiro lugar, vamos às fontes. A festa do Carnaval apesar de
ser cantada em prosa e verso como algo genuinamente brasileira, não tem
sua origem no Brasil. Surge em diferentes culturas e épocas distintas
e remonta à antiguidade de povos como os gregos, romanos e egípcios.
A idéia da festa é: proporcionar a celebração
de alguma conquista ou mesmo da colheita onde os envolvidos cantam, dançam,
se alegram demasiadamente para depois entrar num período de serenidade
e menor intensidade.
No caso cristão, isso foi assimilado da cultura romana que celebrava
a festa da carne-vai ou do adeus-carne. Esse tempo,
de muita alegria, festa e dança, se caracterizava pela mudança
astrológica muito própria da antiga religião romana.
Quando os cristãos começaram a ganhar espaço na sociedade
e a também criar suas festas e dar sua noção teológica
ao mundo, ao tempo e às coisas, aproveitou-se daquilo que já existia
e adaptou-a aos novos sentidos da fé.
Com o carnaval que já era celebrado, marcou-se o tempo da despedida
das coisas passageiras, do cotidiano e que nem sempre recebe a devida atenção
nossa e passa-se para o tempo de profunda meditação e entendimento
da vida humana, iluminada pela quaresma e dignificada plenamente pela Páscoa
do verdadeiro homem, Jesus Cristo.
Depois, é bom a gente saber que o carnaval em si não é
nem bom e nem mal. Ele é uma festa usada como pretexto para as pessoas
se reunirem, cantar, dançar e dizer que estão de bem com a vida.
Agora, o que se faz do carnaval e o como se brinca o carnaval já
é uma outra estória, pois além de todo o aspecto apelativo
que a festa já tinha nas suas origens, mas que se intensificou com a
necessidade de vender a festa como um produto, passa a exigir de nós
uma reflexão ética e moral.
Concordo com quem diz que a festa é apelativa. Abusa-se demasiadamente
dos atributos do corpo e o apelo sexual passa a ser a força motriz da
festa. Mas a pergunta deveria ser: a quem esse tipo de comportamento interessa?
Aqueles que se preparam nas comunidades de suas escolas de samba, que vão
aos salões com suas famílias, que gostam de uma fantasia, não
têm em princípio necessidade alguma em mostrar-se com uma peça
de carne exposta numa vitrine de açougue.
Quem assim o faz, sabe que com isso ganha certa visibilidade, alguns segundos
de fama e mesmo que o comentário seja somente entre os vizinhos da rua,
sente-se importante pois quebrou algumas regras do convívio social e
expôs-se sexualmente.
Também ganha com isso quem mostra esse tipo de comportamento e, em
detrimento dele, reduz toda a popularidade da festa ao número de peladas
e pelados na avenida.
As TVs, revistas de fofocas e infelizmente até os jornais escritos,
acabam dando espaço demasiado ao nu e ao depravado e criam no imaginário
popular, que isso é o carnaval. E aí, a alegria e beleza da festa
perdem-se nos excessos e abusos de sexo, álcool e drogas.
Se pudéssemos voltar à alegria da catarse celebrativa do carnaval, talvez todos gostássemos de dizer adeus carne, para depois viver o tempo privilegiado do espírito.
Fiquem bem.
Luis, pe.
Autor: Padre Luis
E-mail: padreluis@diocesedelimeira.org.br