Formacao Catolica
Dia de Finados
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: John Nascimento
O Dia de Finados é o dia escolhido pela Igreja, (celebra-se a 2 de Novembro) para recordar e orar pelas almas do Purgatório, convidando toda a Comunidade para este gesto de caridade e de sufrágio.
Esta celebração, a que podemos também chamar esta Festa, tem as suas origens numa prática começada por Santo Odilo (962-1049), monge e abade de Cluny em 994.
Os monges de Cluny faziam preces especiais e cantavam salmos pelos defuntos no dia imediato ao Dia de Todos os Santos.
Como as almas do Purgatório estão já no caminho certo para o Céu, nós podemos, com as nossas orações, abreviar o seu tempo de espera e de purificação.
Esta prática de reservar um dia especial e oficial para sufragar as almas do Purgatório tornou-se popular e divulgou-se por muitas comunidades católicas da Europa e das Américas Latinas.
No século XV muitos sacerdotes começaram a celebrar três missas neste dia e este costume tornou-se uma prática habitual da Igreja de modo que em 1920 o papa Bento XV (1914-1922) permitiu que todos os sacerdotes celebrassem oficialmente três missas no dia de Fiéis Defuntos (Dia de Finados), 2 de Novembro, sendo uma por uma intenção especial,(a que foi pedida ao sacerdote), a segunda por todas as almas do Purgatório, e a terceira pelas intenções do papa.
As razões de muitas orações pelos defuntos começaram por uma superstição popular muito antiga, segundo a qual as pessoas pensavam que as almas do outro mundo andavam por cá a penar e lhes apareciam.
A Igreja procurou esclarecer devidamente os fiéis à luz da doutrina teológica e apontando para a parábola do Evangelho do rico avarento e do pobre Lázaro, segundo a qual:
- Entre nós e vós foi estabelecido um grande abismo( ... )Têm Moisés e os profetas; que os oiçam(... ) Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão pouco se deixarão convencer se alguém ressuscitar de entre os mortos. (Lc.16,26-31).
Ainda hoje o costume de celebrar três missas no Dia de Finados, tornado oficial em 1920 é prática comum da Igreja, que escolheu as leituras próprias para estas Missas e compôs as respectivas orações numa linha de amor de Deus por nós, alimentando a nossa esperança de salvação eterna.
Nos ritos fúnebres por seus filhos, celebra a Igreja com fé o Mistério pascal, na firme esperança de que os que se tornaram, pelo Baptismo, membros de Cristo morto e Ressuscitado, passem com Ele através da morte à vida.
É necessário, porém, que a sua alma seja purificada, antes de ser recebida no Céu com os santos e os eleitos, enquanto o corpo espera a bem-aventurada vinda de Cristo e a ressurreição final.
A oração pelos defuntos é uma tradição da Igreja.
De facto subsiste no homem, mesmo quando morre em estado de graça, muita imperfeição.
Para essa imperfeição, existe o Purgatório, lugar de purificação.
É um costume muito popular e muito antigo, neste dia, a começar já na véspera, fazerem-se visitas aos cemitérios, numa recordação mais ao vivo das almas cujos corpos ali foram sepultados.
Como Deus é amor total, e nós somos chamados a ser "semelhantes a Ele"(1 Jo.3,2), os que ainda vivemos aqui, somos convidados a um percurso de purificação de tudo o que se oponha ao amor.
Não se pode entrar na vida de Deus e na Sua presença, enquanto não for eliminada a última parcela do nosso egoísmo, sinónimo da nossa falta de amor.
O percurso começou no nosso Baptismo.
Desenvolveu-se na escuta da palavra de Deus que foi posta em prática na frequência dos Sacramentos da Igreja que nos incorporaram no Mistério Pascal de Cristo, e na adesão incondicional à pessoa de Jesus.
O caminho concreto que expressa a nossa adesão, e aparece como nova lei, a do amor sem fronteiras, é proposto por Jesus no Sermão da Montanha e de forma particular nas Bem-aventuranças. (Mt,5,l-12).
A purificação do amor fizemo-la, ou iniciámo-la pelo menos, ao longo de toda a nossa vida.
Foi uma ascese discernida, um acolhimento amoroso de tudo o que a vida oferece e completa na nossa carne o que falta à Paixão de Cristo. (Col.1,24).
Toda a nossa vida tem sido um somatório de momentos fundamentais de um "Purgatório" vivido aqui e agora.
Não sabemos como é o Purgatório nem é bom imaginá-lo.
Sabemos apenas que é o último retoque na obra-prima de Deus: o homem e a mulher, feitos à Sua imagem e semelhança, à imagem de Seu Filho.
A festa dos Fiéis Defuntos, desses que estão definitivamente salvos mas não ainda plenamente identificados com Jesus Cristo, aparece, na Liturgia da Igreja, como sequência lógica da festa de Todos os Santos.
Esses afinal também são santos, talvez ainda não acabados, mas em vias certas de o serem
A alegria de o sabermos devia ser maior do que a saudade da separação, porque o Dia de Fiéis Defuntos é de festa e não de tristeza.
John Nascimento