Formacao Catolica
O Reino de Cristo
Fonte: In conversations with
God, V.5
tradução livre: Sandra katzman
Um reino de justiça e amor.
O Senhor trona como um rei para sempre e abençoará o seu povo, dando-lhe a paz! (Sl 28,10-11).
A Solenidade de Cristo Rei é como se fosse uma síntese de todo o mistério salvífico. (JPII, Address, 20 Nov 1983). Esta festa encerra o ano litúrgico. Durante os últimos meses, celebramos os mistérios da vida do Senhor. Agora contemplamos Cristo no seu estado glorioso de Rei de toda a Criação e de nossas almas. As festas da Epifania, Páscoa e Ascensão também descrevem Cristo como Rei e Senhor do Universo, mas a Igreja quer manter esta festa como uma lembrança especial para o homem moderno, que parece de alguma forma indiferente aos seu destino sobrenatural (cf. Pius XI, Encyclical, Quas primas, 11 Dez 1925).
Os textos para a missa de hoje enfatizam o amor do Cristo Rei. Ele não
veio estabelecer o seu reino através da força. Suas 'armas' são
a bondade e a solicitude de um pastor: "Vou tomar eu próprio o cuidado
de minhas ovelhas, velarei sobre elas. Como o pastor se inquieta por causa de
seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas
tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu; eu o reconduzirei de todos
os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas"
(Ez 34, 11-12). O Senhor cuida de suas ovelhas perdidas, aqueles homens e mulheres
que se perderam através do pecado. Ele cuida de curar suas feridas. Ele
chega ao extremo de morrer pelas suas ovelhas. "Como Rei, Ele veio revelar
o amor de Deus, para ser o Mediador da nova Aliança, o Redentor da humanidade.
O reino que Jesus iniciou opera em seu dinamismo interior como um "fermento"
e um "sinal de salvação" para a construção
de um mundo mais justo e mais fraterno, com mais solidariedade, inspirado pelos
valores evangélicos de esperança e de felicidade futura ao quais
todos são chamados. Portanto, o prefácio da celebração
eucarística de hoje fala de Jesus que ofereceu ao Pai 'um reino de verdade
e de vida, de santidade e de graça, de justiça, amor e paz' (JPII,
Address, 26 Nov 1989). Este é o significado do Reino de Cristo. Cada
um de nós é chamado a participar deste reino e expandi-lo através
de nosso apostolado. O Senhor deve estar presente em nossas famílias,
entre os nossos amigos, vizinhos e colegas de trabalho ... Perante os que reduzem
a religião a uma série de negações, ou se conformam
com um catolicismo de meias-tintas; ante os que querem pôr o Senhor voltado
para a parede, ou colocá-Lo num canto da alma... havemos de afirmar,
com as nossas palavras e com as nossas obras, que aspiramos a fazer de Cristo
um autêntico Rei de todos os corações... Inclusive os deles.
(Sto J.Escrivá, Sulco, 608)
Cristo deve reinar em nossa mente, em nossa vontade e em nossas ações
Oportet autem illum regnare ... Porque é necessário que ele reine ... (1 Cor 15,25)
S.Paulo nos ensina que enquanto o Reino de Cristo é concluído
no tempo e no espaço, ele irá obter sua plenitude definitiva no
Julgamento Final. O apóstolo descreve este acontecimento temporal como
um rito de homenagem ao Pai: Cristo apresentará toda a Criação
a ele numa oferenda. Então todas as coisas estarão sujeitas ao
seu
comando (1 Cor 15,23-28). A Segunda Vinda de Cristo estabelecerá um novo
céu e uma nova terra (Apo 21, 1-2). Ele então irá abater
o demônio, o pecado, o sofrimento e a morte (cf. Biblia de Navarra, nota
sobre 1 Cor 15, 23-28).
Enquanto isso, nós cristãos não podemos esperar passivamente que estes sérios acontecimentos se desenrolem. Temos que desejar ardentemente o estabelecimento de seu reino: Oportet illum regnare! Primeiramente, o Senhor deve reinar em nossa mente, em nossa vontade e em nossas ações. É necessário que ele reine em nossas mentes, que devem assentir com perfeita submissão, firme e constantemente às verdades reveladas e à doutrina de Cristo. É necessário que reine na nossa vontade, a qual deve obedecer as leis e os preceitos divinos. É necessário que reine em nosso coração, o qual, adiando os efeitos naturais, deve amar a Deus acima de todas as coisas, e só a Ele estar unido; é necessário que reine no corpo e em seus membros, que como instrumentos, devem servir para a santificação interna da alma (Pio XI, Enciclica Quas primas, 11 Dez 1925). Como, és grande, Senhor, Nosso Deus! Tu és quem dá à nossa vida sentido sobrenatural e eficácia divina. Tu és a causa de que, por amor de teu filho, com todas as forças do nosso ser, com a alma e com o corpo, possamos repetir: oportet illum regnare!, enquanto ressoa o eco da nossa debilidade, porque sabes que somos criaturas - e que criaturas! - feitas de barro (Sto J. Escrivá, Cristo Passa, 181).
A festa de hoje é uma antecipação da Segunda Vinda de Cristo em poder e majestade. Seu retorno glorioso encherá os corações dos fiéis de alegria e enxugará todas as lágrimas. Esta festa também é uma intimação para que impregnemos com o espírito de Cristo todas as realidades temporais. O Concílio Vaticano II declarou: A esperança de uma nova terra, longe de atenuar, antes deve impulsionar a solicitude pelo aperfeiçoamento desta terra. Nela cresce o Corpo da nova família humana que já pode apresentar algum esboço do novo século. Por isso, ainda que o progresso terreno deva ser cuidadosamente distinguido do aumento do Reino de Cristo, contudo é de grande interesse para o Reino de Deus, na medida em que pode contribuir para organizar a sociedade humana. Depois de propagarmos na terra, no Espírito do Senhor e por Sua ordem, os valores da dignidade humana, da comunidade fraterna e da liberdade, todos estes bons frutos da natureza e do nosso trabalho, nós os encontraremos novamente, limpos contudo de toda impureza, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal... o Reino já está presente em mistério aqui na terra. Chegando o Senhor, ele se consumará. (CVII Gaudium et spes, 39).
Estendendo o Reino de Cristo
Jesus respondeu à Pilatos: Meu reino não é desse mundo
... Depois durante o interrogatório, Jesus diz ao procurador romano:
Eu sou rei, para isso nasci... (Jo 18, 36-37). Embora o Reino de Cristo não
seja deste mundo, ele começou aqui. O Reino de Cristo se estende até
onde houver homens e mulheres que sabem que são filhos de Deus, que são
sustentados por ele, que vivem para ele. Cristo é um Rei que recebeu
todo o poder no céu e na terra, mas Ele governa com um coração
manso e humilde (cf. Mt 11,29). Sua autoridade está a serviço
dos outros. O
Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua
vida em resgate por uma multidão. (Mt 20,28). O Seu trono foi uma mangedoura
em Belém e depois uma Cruz no Calvário. Ele é o soberano
dos reis da terra (Ap 1,5) cujo tributo é a prova de nossa fé
e amor.
A primeira pessoa a reconhecer formalmente Cristo como Rei foi um criminoso condenado. Ele conquistou o coração do Senhor com um pedido humilde: Jesus, lembra-te de mim quando tiveres entrado no teu reino! (Lc 23,42). Este homem foi capaz de perceber o significado verdadeiro da realeza de Cristo, embora ela tenha sido objeto da ridicularização impiedosa por parte da multidão barulhenta. A sua fé aumentava a medida que a divindade de Cristo se tornava progressivamente obscura. O Senhor sempre nos concede mais do que aquilo que pedimos. O ladrão simplesmente pediu para ser lembrado, mas o Senhor disse: Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso. A essência da vida é viver com Jesus Cristo. E onde Jesus Cristo está, ali encotramos o seu Reino. (Sto Ambrósio, Comentário sobre o Evangelho de Lucas, in loc).
Jesus nos fala na ocasião desta festa solene: Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco - oráculo do Senhor - desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança (Jer 29,11). Tenhamos a resolução de fazer nossos corações se conformarem com a Vontade de Deus. Peçamos sua benção sobre os nossos esforços de estender o seu reino através de nosso apostolado de amizade e confiança. A isto fomos chamados, nós, os cristãos; esta é a nossa tarefa apostólica e a ânsia que nos deve queimar a alma: conseguir que seja realidade o reino de Cristo, que não haja mais ódios nem mais crueldades, que dinfundamos na Terra o bálsamo forte e pacífico do amor (Sto J. Escrivá, Cristo Passa, 183).
Para transformarmos estes ideais em realidade devemos nos voltar mais uma vez para Nossa Senhora. Maria, a Mãe santa do nosso Rei, a Rainha do nosso coração, cuida de nós como só Ela sabe fazê-lo. Mãe compassiva, trono da graça, pedimos-te que saibamos compor na nossa vida e na vida dos que nos rodeiam, verso a verso, o poema simples da caridade, quasi fluvium pacis, como um rio de paz. Porque tu és mar de inesgotável misericórdia: os rios vão dar todos ao mar e o mar não se enche.
Sandra