Formacao Catolica

Semana Santa

Fonte: Mundo Catolico

Transmissao: Jose Augusto

QUINTA FEIRA SANTA
Pe. José Luiz Majella Delgado - CSsR

A Quinta-feira Santa se encontra no cruzamento da Quaresma com a Páscoa. No último dia da Quaresma (até a hora das vésperas), com a "Missa da Ceia do Senhor", abre-se o tríduo pascal. Ela é a preparação final da Páscoa e à partir dela inicia-se a Celebração Pascal.
É também o "Dia da entrega": Judas entregou o Senhor aos seus inimigos, o Senhor se entregou para nós, sobretudo na Eucaristia.
Neste dia combina-se três elementos:
- A comemoração da última ceia;
- A reconciliação dos penitentes;
- E os vários ritos preparatórios para os batismos do Sábado Santo, especialmente a consagração dos óleos.
Tema Central
O mistério central deste dia é a instituição da Eucaristia e a Ceia do Senhor. É a entrega de Jesus na eucaristia, no corpo dado e no sangue derramado por nós. Preparação é a palavra chave, porque tudo é feito em vista da Páscoa. Assim se deu quando o Senhor enviou Pedro e João para fazer os preparativos: "Ide preparar-nos a Páscoa para comermos"( Lc 22,8). A síntese da celebração de hoje é a exaltação do amor/serviço de Jesus Cristo.
Momentos Funamentais Da Celebração
1º) Liturgia da Palavra: Êx 12,1-8.11-14; 1Cor 11,23-26; Jo 13,1-15
2º) Lava pés: é a dramatização da leitura evangélica. O aparecimento deste rito data de meados do século V em Jerusalém. No início não tinha lugar no quadro da eucaristia. Foi a atual reforma litúrgica que introduziu-o na própria celebração eucarística, depois do evangelho e da homilia. O gesto de Jesus lavar os pés dos discípulos desconcerta e espanta os apóstolos. A cena pode parecer um tanto esquisita, mas na época de Jesus não havia nada de esquisito em lavar os pés dos convidados, era simples gesto de hospitalidade. Desempenhado por Cristo na última ceia, teve um significado bem mais profundo: transmitiu, antes de mais nada, a mensagem do serviço mútuo. Aí Cristo deu o exemplo perfeito. Cristo com este gesto, profetiza sua própria morte. A lavagem dos pés dos discípulos simbolizou o ato supremo de serviço amoroso à humanidade, sacrifício expiatório de Cristo. Sua mensagem é que não somente devemos imitar o espírito de serviço de Cristo nas menores coisas, mas estarmos preparados para segui-lo em todo caminho.
3º) A solene transladação do Santíssimo Sacramento: é um gesto prático: levar a um lugar designado o pão eucarístico, dado que a Sexta-feira Santa é dia litúrgico, sem celebração de missa, mas dia em que se comunga. Após a missa, o sacerdote, acompanhado de seus ministros, leva o santíssimo sacramento em procissão até o altar da reposição. É uma procissão solene, evoca a festa do Corpo e Sangue de Cristo. Na reforma atual a Igreja quer que se evite toda idéia de sepulcro e se faça a adoração da eucaristia somente até a meia-noite em ação de graças pelos dons concedidos pelo Senhor, devendo-se depois dar lugar ao pensamento da paixão, logo que começar a meia-noite, ou seja, a Sexta-feira Santa. Caso a adoração se prolongue além da meia-noite, ela dever ser feita sem qualquer solenidade. A adoração deve caracterizar-se por luzes e flores, enfatizando o dom do Senhor, o "Dom do sacrifício pascal", que é precisamente o mistério da morte de Jesus. "A Quinta-feira Santa não é só dia do corpo do Senhor, mas também dia do Corpo do Senhor oferecido e de seu sangue derramado em sacrifício". É, na verdade, dia do memorial de sua morte pascal". (E. Eliaga). O que deve marcar esta noite é a oração.

SEXTA-FEIRA SANTA

A Igreja não vê esse dia como de pranto e luto, mas como dia de amorosa contemplação do sacrifício cruento de Jesus, fonte de nossa salvação. Ela não faz na Sexta-feira Santa um funeral, mas celebra a morte vitoriosa do Senhor. As duas características mais marcantes da liturgia da Sexta-feira Santa no Ocidente era a Veneração da Cruz e a comunhão do sacramento reservado, também chamada de Missa dos Pré-Santificados. Diz-se que esta missa remonta ao II século, pelo menos.

TEMA CENTRAL

É Jesus Cristo como SERVO-POBRE-SOFREDOR de Deus, pregado na cruz como Rei Universal. Doravante ele é o Sumo Sacerdote, o mediador supremo entre Deus e os homens.

ELEMENTOS DA CELEBRAÇÃO

O elemento fundamental e universal da liturgia desse dia é a proclamação da Palavra, uma vez que a Igreja, por antiquíssima tradição, não celebra hoje a eucaristia. A celebração compõe-se de três partes:

1º) A liturgia da Palavra:

O Evangelho, conforme uma longa tradição, é o da Paixão segundo S. João (Jo 18,1-19.42). A Igreja reserva para este dia precisamente pela perspectiva com que o apóstolo apresenta a vida e a morte de Jesus.
A primeira leitura é o texto do profeta Isaías que narra a passagem do servo sofredor (Is 52,13-53,12). É um trecho do quarto cântico do Servo de Iahweh. Com esta leitura é oferecida a imagem do Cristo sofredor, conduzido ao matadouro como uma ovelha muda, carregando todos os nossos pecados, causa da nossa justificação.
O Salmo responsorial é tirado do Sl 30, cujo versículo 6 Jesus pronunciou na cruz (Lc 23,46) "... Sou o opróbrio dos meus inimigos... Confio em ti, Senhor... Fazes brilhar tua face sobre teu servo..." .
A liturgia atribui a Jesus o Salmo inteiro, encontrando nele a descrição de sua paixão e de seu pleno abandono nas mãos do Pai.
Na Segunda leitura, é proclamado um trecho da carta aos Hebreus (4,14-16;5,7-9). Ela nos mostra Cristo obediente que se torna causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
Depois da leitura da Sagrada Escritura e da homilia, a liturgia da Palavra termina com as orações solenes (Oração Universal) segundo o esquema da antiga prece litúrgica: convite, intenções, prece em silêncio, "coleta" (Oração das Preces por parte do presidente da assembléia).
São 10 súplicas: pela Igreja, pelo papa, pelas ordens sagradas e por todos os fiéis, pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos não-cristãos, pelos que não crêem em Deus, pelos governantes e pelos atribulados.
Podemos assinalar a teologia que emerge do lugar que essas orações solenes ocupam depois da proclamação da Palavra de Deus. A assembléia, iluminada pela palavra, abre-se à caridade orando pelas necessidades atuais, começando pela Igreja e assim por diante.

2º) A adoração da Cruz

Não se oferece o sacrifício eucarístico na Sexta-feira Santa. Em lugar da eucaristia fazem-se a apresentação e a adoração da cruz. A atenção da Igreja se fixa no calvário. É um rito que nasce como conseqüência da proclamação da paixão de Jesus. Há nesta veneração o antigo costume de mostrar aos fiéis a cruz, descobrindo-a progressivamente enquanto se canta, três vezes, o "Ecce lignum crucis" (Eis o lenho da cruz), ao que o povo responde: "Vinde, adoremos!". Para a adoração da cruz, aproximam-se os cristãos que exprimem sua adoração pela genuflexão, pelo beijo ou por outros sinais adequados. Ao terminar a adoração, põe-se a cruz sobre o altar, que é símbolo do sacrifício e sacerdócio de Jesus Cristo. A assembléia contempla seu Senhor (Jo 19,37).

3º) Liturgia da comunhão

Terminada a liturgia da adoração da cruz, cobre-se o altar com uma toalha e traz-se o Santíssimo Sacramento. O presidente da assembléia adora-o, fazendo uma genuflexão. Pronuncia-se o Pai Nosso e o embolismo seguido da aclamação do povo, como nas missas. Em seguida dá-se a comunhão à comunidade.
Podemos dizer que o significado desta comunhão fundamenta-se em São Paulo, que alude a uma relação profunda e misteriosa entre a comunhão sacramental e a paixão e morte de Cristo. Na 1Cor 11,26 ele lembra: "Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha." A Eucaristia também é participação da morte de Cristo (1Cor 10,15-16).
A solene ação litúrgica da paixão e morte do Senhor termina com a oração pós comunhão, que é uma ação de graças pela nova vida que o Pai nos comunicou pela "morte e ressurreição" de seu Filho, e logo em seguida, a oração sobre o povo que menciona junto a morte e a ressurreição, pedindo que "venha o vosso perdão, seja dado o vosso consolo; cresça a fé verdadeira e a redenção se confirme", e o povo se retira em silêncio após esta bênção.

O jejum pascal

Nesse dia observa-se o jejum chamado "pascal", porque nos faz reviver a passagem ("transitus") da paixão à alegria da ressurreição. É um sinal exterior da participação interior do sacrifício de Jesus (2Cor 4,11), e também como sinal de que chegamos aos dias em que nos tiraram o Esposo (cf Lc 5,33-35). A tradição desse jejum é antiquíssima, atestada por Tertuliano e Hipólito, em Roma, onde a celebração anual da Páscoa começava com o jejum da Sexta-feira Santa e prolongava-se durante todo o Sábado, até a celebração da Vigília na noite entre o Sábado e o Domingo.
A Sacrossanctum Concilium, a constituição sobre a liturgia, prescreve: "Sagrado seja o jejum pascal, a se observar na Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor e, se for oportuno, a se estender também ao Sábado Santo, a fim de que se chegue com o coração livre e aberto às alegrias do Domingo da Ressurreição" (SC 110).
O jejum pascal não é um elemento secundário, mas é parte integrante da celebração do tríduo pascal.

4º) Desnudamento do altar:

é um gesto simbólico, e por vezes dramatizado, como lembrança do desnudamento de Jesus. É feito em silêncio após a celebração.
Esses dois últimos ritos foram acrescentados à liturgia eucarística com o passar do tempo. A transladação da reserva eucarística constitui um gesto prático que se desenvolve a partir dos sécs. XIII-XIV em concomitância com a devoção de "ver" a hóstia consagrada. O desnudamento é um gesto funcional, como o era ainda no séc. VII, quando se adornava o altar com toalhas somente para a celebração da eucaristia, tornando-se um gesto simbólico, será dramatizado em memória da desnudação de Jesus de suas vestes.

A consagração dos santos óleos

A assim chamada "Missa do Crisma", reservada para o período da manhã deste dia, mas que poderá ser também antecipada para um outro dia próximo da Páscoa (cf. Decreto da Congregação do Culto Divino de 3 de dezembro de 1970), evidencia o clima de uma verdadeira festa do sacerdócio ministerial no interior de todo o povo e orienta a atenção para Cristo, cujo nome significa "consagrado por meio da unção" ( cf. Lc 4,18; At 10,38; Hb 1,9). O bispo, que concelebra a missa com seus presbíteros, benze os santos óleos e consagra o Crisma. São bentos também nesta celebração o óleo dos catecúmenos para todos os que lutam para vencerem o espírito do mal, e o óleo dos enfermos, para a unção sacramental daqueles que, na doença, completam em si aquilo que falta à paixão redentora de Cristo. Desse modo, também se significa a referência de todos os sacramentos ao mistério pascal, que começa a celebrar-se de forma tão solene com a comemoração da entrada messiânica em Jerusalém.

SÁBADO SANTO

O Sábado Santo sugere a pausa da Igreja junto do sepulcro do Senhor e a meditação sobre a paixão e a morte.
Nesse dia "a Igreja permanece ao lado do sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e morte, abstendo-se da missa (a mesa fica sem toalhas e ornamentos) até após a solene vigília em que se espera a ressurreição, se entregue às alegrias da Páscoa, que transbordarão por cinqüenta dias."
O significado deste dia é manifestado pela Liturgia das Horas, celebrado junto ao altar despojado. No Ofício das Leituras a salmodia está voltada para a oração de confiança e gratidão para com Deus, do qual unicamente vem a felicidade, ele é o amigo que acolhe o justo. A primeira leitura, tirada da carta aos Hebreus (Hb 4,1-13), desenvolve o tema do "repouso", atraindo uma referência ao tema do repouso de Deus depois da criação (Gn 2,2), e/ou do "descanso", que é no salmo A terra prometida (Js 22,4; 23,1): "Alguém que entrou em seu descanso, descansa de suas obras, da mesma forma que Deus das suas"(Hb 4,10), onde este versículo transpõe-nos à passagem do Ap 14,13, que coloca o repouso das tarefas depois da morte, e quando uma voz celeste anuncia a bem-aventurança dos que se mantêm "fiéis ao Senhor" até morrer. A segunda leitura, datada do séc. IV, é de uma antiga Homilia no grande Sábado Santo, que aborda "a descida do Senhor à mansão dos mortos". As demais Horas litúrgicas favorecem a oração do compromisso, conscientizando-nos de que fomos sepultados com Cristo no batismo e que pela força de sua ressurreição, participaremos da vida eterna com Ele.
É um dia de silêncio, de uma jornada de oração e meditação na grande obra de nossa salvação, que Cristo levou até o fim por meio de grandes dores e sofrimentos.
"O Sábado está localizado entre a Sexta-feira e o Domingo, entre a memória da paixão e a da ressurreição. Maria o preenche, porque nesse dia, o Sábado Santo, toda a fé da Igreja está recolhida nela. Em seu coração recolhia-se toda a vida do corpo místico, do qual, sob a cruz, Ela fora chamada a ser a Mãe Espiritual. Nesse dia ela carregou em seus ombros todo o edifício da Igreja. É essa a razão pela qual o Sábado torna-se o dia de Nossa Senhora". Este dia é consagrado a Nossa Senhora, porque é o último da semana cristã, que antecipa o primeiro, o Domingo, "Dia do Senhor".

PÁSCOA: DOMINGO DA RESSUREIÇÃO

Cristo ressuscitou, ele vive além da morte, é o Senhor dos vivos e dos mortos. Em Jesus o germe da vida divina, semeado desde o início em tudo o que foi criado, chega a uma maturação pessoal única, porque nele habita a plenitude da divindade. A humanidade vê realizada, por dom de Deus, a sua grande esperança: céus e terra "novos", um mundo sem luto e sem lágrimas, de paz e justiça, de alegria e vida sem sombras e sem fim. Tudo isso, porém, não é visível; somente aos olhos de quem crê é possível perceber os traços dessa nova criatura. Nossa morte foi vencida pela morte de Jesus livremente aceita; mas ela continua ainda a agir até que tudo seja completado. O pecado foi vencido pelo sacrifício do inocente; mas o "mistério da iniqüidade" acompanha ainda a existência humana até o último dia. No Senhor ressuscitado, morte e pecado encontram uma explicação, desde que estejam inseridos num plano de sabedoria e de amor; não causam mais medo, porque pertencem ao "velho mundo" do qual fomos libertados.
Diferentemente da vida natural, que nos é dada sem o nosso consentimento, na nova existência só se pode entrar através de uma adesão consciente e livre, com o propósito de renascer mediante a conversão e o batismo. Devemos seguir Cristo, cabeça do novo povo, animados pelo sopro vital do seu Espírito. Batizados na sua morte e na sua ressurreição, devemos aprender a "caminhar em novidade de vida", como filhos de Deus.
O nosso crescimento nessa vida acontecerá de acordo com nossa correspondência às leis da vida divina em nós, ou seja, ao amor. A vivência da páscoa está toda ela aqui: não uma série de preceitos, mas um só mandamento, ajustado para cada pessoa e para cada comunidade na variedade das situações. O ser humano novo é o ser humano verdadeiro, do jeito que Deus o imaginou desde toda a eternidade. Homem e mulher fiéis à sua vocação humana. A oposição que existe é a do pecado e da graça. O ser humano velho vive na ilusão de poder conduzir o seu destino valendo-se somente dos seus recursos; o ser humano novo cumpre perfeitamente o querer de Deus, sendo admitido à condição filial; o ser humano novo sabe que o conteúdo de sua fidelidade à vocação recebida reside na obediência à sua condição terrestre até a morte; sabe que este "sim" de criatura constitui o suporte necessário para o "sim" do filho adotivo de Deus. Esta é a novidade da qual os cristãos são testemunhas no mundo.

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