Formacao Catolica

Solenidade da Santíssima Trindade

Fonte: Lista Exsurge Domini

Autor: John Nascimento

Todos somos um só na SS. Trindade !

A Liturgia da Palavra da Solenidade da Santíssima Trindade – C, revela-nos que Deus sempre se dá a conhecer aos homens.

Aos homens nós conhecemo-los, vendo-os viver.

Mais do que por definições, é pelos seus gestos e atitudes que nos mostram o que são.

Ora é também pelos seus gestos que Deus nos dá a conhecer o ministérios impenetráveis da Sua Vida.

Assim foi com a Encarnação que nos manifestou o mistério de um Deus em três pessoas divinas.

«Na verdade, o mistério do Verbo feito carne obriga-nos a distinguir três Pessoas em Deus.

É só o Verbo que incarna; não se pode descobrir a Sua identidade, se não se reconhece n’Ele o Filho enviado do Pai e destinado a comunicar o Espírito».(Jean Gaillot).

Com a Sua presença no mundo e com as Suas Palavras, Jesus Cristo descobriu-nos as surpreendentes riquezas de Deus.

Falou-nos do Pai, que nos ama e quer a nossa salvação; apresentou-Se a Si mesmo como o Filho, o Enviado, o caminho, a verdade e a vida; anunciou-nos a vinda do Espírito Santo como hóspede das nossas almas.

Ao consagrar, de modo especial, um domingo do Ano à Santíssima Trindade, a Liturgia quer levar-nos a prolongar e completar a nossa «descoberta» de Deus, a fim de que a nossa vida, vivida na «graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, no amor do Pai e na comunhão do Espírito Santo» seja um sinal de amor de Deus para os nossos irmãos.

A 1ª Leitura, do Livro dos Provérbios, diz-nos que a Sabedoria não é só um bem muito desejável.

É mais do que isso.

É uma pessoa viva, cuja origem é anterior à criação de todas as coisas.

Intimamente unida a Deus, mas, ao mesmo tempo distinta d’Ele, assiste-O na obra da Criação, manifestando-se activamente criadora.

Proveniente de Deus, pertence ao âmbito divino.

Contudo, ela vem ao encontro dos homens, no desejo profundo de com eles estabelecer relações de amizade.

- «Quando eu nasci, ainda os abismos não existiam, nem corriam as nascentes de águas abundantes.(...).Deleitava-me sobre a face da Terra, e as minhas delícias eram viver com os filhos dos homens».(1ª leitura).

Nesta Sabedoria de Deus, assim descrita no Antigo Testamento, vê a Tradição Patrística, a partir de S. Justino, o Verbo de Deus, Jesus Cristo, Sabedoria e Palavra criadora de Deus, pelo Qual «tudo foi criado».(Jo.1/3).

Por isso o Salmo Responsorial canta as grandezas de Deus :

- Como sois grande em toda a Terra, Senhor, nosso Deus !

Na 2ª leitura, S. Paulo diz aos Romanos, e hoje também a todos os cristãos, que a vida cristã mergulha as suas raízes no mistério de um Deus uno na essência e trino em Pessoas, tal como Se revelou em Jesus Cristo.

Pelo Sacrifício de Jesus, nós fomos, na verdade, introduzidos nessa comunhão de vida e amor, que é a Trindade Santíssima.

Reconciliados com o Pai, justificados mediante a fé, passámos de um estado de inimizade com Deus à posse de uma amizade, que nos transforma em imagens e filhos de Deus.

Começámos a viver da própria vida de Deus.

- Nós fomos justificados pela fé e, por isso, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo.(2ª Leitura).

E embora entre a justificação e a salvação medeie o espaço da nossa vida terrena, tão fértil em tribulações, estamos seguros de que vivemos a gozar, de modo perfeito, das riquezas de Deus, pois o Espírito Santo nos foi dado como penhor do amor do Pai por nós.

O cristão deve impregnar de amor a sua vida e as suas relações humanas, procurando reproduzir na vida de cada dia o que se revelou no mistério da Trindade.

O Evangelho é de S. João, e diz-nos que Jesus, no decorrer de toda a Sua vida, foi dando a conhecer aos Apóstolos, de maneira progressiva, mas muito concreta, as Suas relações com o Pai e o Espírito Santo, introduzindo-os assim no mistério de Deus uno e trino.

Ao terminar a Sua missão, promete-lhes o Espírito Santo, como guia seguro, no tempo da Sua ausência.

- «Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade total».(Evangelho).

Espírito de verdade, Ele manterá vivo o ensinamento de Jesus através dos séculos; Ele ajudará os discípulos a aprofundar a Revelação de Jesus, Palavra definitiva do Pai.(Jo.1/12. 18).

Aceitando este amor de Deus, o Espírito enviado por Cristo, para nos iluminar, vivificar e divinizar, nós recebemos a salvação, que não é simples libertação do pecado, mas sim inserção na vida trinitária, e que só será perfeita na eternidade, segundo o plano da História da Salvação.

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Diz o Catecismo da Igreja Católica :

253. – A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas : «a Trindade consubstancial» (2º Concílio de Constantinopla em 553 : DS 421). As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única; cada uma delas é Deus por inteiro : «O Pai é aquilo mesmo que o Filho, o Filho aquilo mesmo que o Pai, o Pai e o Filho aquilo mesmo que o Espírito Santo, ou seja, um único Deus por natureza»(11º Concílio de Toledo em 675 : DS 53). «Cada uma das três Pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina»(4º Concílio de Latrão em 1215 : DS 804).

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