Formacao Catolica

Vigilia Pascal

Fonte: Mundo Catolico

Transmissao: Augusto Cesar Ribeiro

VIGÍLIA PASCAL

NA NOITE SANTA !

ANO B !

19 de Abril de 2003

As duas primeiras Leituras da Liturgia da Palavra que são comuns aos três Ciclos A, B e C, preparam-nos, já em tom festivo, para a maior das Festas da Igreja, que é a Festa da Páscoa.

Nesta «noite de vigília em honra do Senhor»(Êx.12/42), os cristãos reúnem-se para celebrarem, na esperança e na alegria, o grande acontecimento da História da Salvação, pelo qual Jesus, depois do Seu aniquilamento voluntário, foi constituído «Filho de Deus em todo o Seu Poder» (Rom.1/4), «Senhor da Glória» (1 Cor.2/8), «Chefe e Salvador»(Act.5/31).

Por esta antiquíssima tradição, os fiéis, trazendo na mão – segundo a exortação do Evangelho(Lc.12/35...) – a vela acesa, assemelham-se aos que esperam o Senhor ao voltar, para que, quando Ele chegar, os encontre ainda vigilantes e os faça sentar-se à sua mesa.

A noite pascal é o grande sacramento da vida do cristão.

Baptismo e Eucaristia, que são o centro da liturgia de hoje, tornam-nos presentes e contemporâneos os acontecimentos que celebramos, e nos comunicam o seu valor salvífico.

A 1ª Leitura, do Livro do profeta Ezequiel, diz-nos que, com os seus pecados de idolatria e de homicídio, o Povo de Deus profanara o Seu Nome, merecendo por isso, o castigo de ser disperso entre povos pagãos.

Contudo, nem mesmo na provação ele soube voltar-se para o Senhor e glorificar o Seu Nome.

Pelo contrário, a sua vida e o seu destino levavam os pagãos a dizer : «O Deus de Israel não será um Deus impotente para salvar o Seu Povo?»

Por isso, sem que o Povo o merecesse, Deus reconduzi-lo-á à sua terra, de novo tornada fértil, recriando-o, mediante uma transformação interior tão profunda que os mesmos corações de pedra se tornarão corações de carne.

- Dar-vos-ei um coração renovado e porei em vós um espírito novo. Hei-de retirar do vosso corpo o coração de pedra, para vos dar um coração de carne. (1ª Leitura).,

Será, porém, na nova economia que, com a Páscoa de Cristo, se realizará plenamente essa transformação.

Com o perdão do pecado e a efusão do Espírito Santo, o homem receberá um coração filial, podendo repetir, cada dia : «Pai nosso». (Mt.6/9).

É esta uma aspiração proclamada também pelo Salmo Responsorial :

- Como suspira o veado pelas torrentes das águas, assim minha alma suspira por Vós, Senhor !

Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Romanos, e hoje também a todos os povos da terra, que a justificação vem de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo, o Qual, com a Sua Morte, destruiu a escravidão do pecado e da morte, em que o homem vivia, comunicando aos resgatados a própria vida divina.

Mas, para que os homens recebam a eficácia da Morte e Ressurreição de Jesus, é necessário que se insiram no Seu Mistério Pascal.

- O homem que éramos anteriormente foi crucificado com Cristo para ser destruída em nós a força do pecado e não mais sermos escravos dele(...)Se nós morrermos com Cristo, acreditamos que também viveremos com Ele. (2ª Leitura).

Ora o Baptismo é o Sacramento que nos une à Morte de Cristo, para nos fazer viver com Ele a nova vida, que «não morre mais».

Comunicando aos baptizados os frutos da Paixão e da Ressurreição, o Baptismo não é, porém, uma simples aplicação do Mistério Pascal : é a sua realização actual em cada um de nós.

O Evangelho deste Ano B, é de S. Marcos que, como os restantes Evangelistas, não deixa de sublinhar a circunstância da Ressurreição se ter realizado no primeiro dia da semana, o que mostrava bem a relação profunda entre a primeira e a nova criação, que se iniciava.

- E, no primeiro dia da semana, muitíssimo cedo, foram ao túmulo, depois do nascer do Sol.(...) Quando entraram no túmulo, viram um jovem, sentado à direita, trajado com uma veste branca, e ficaram assustadas. (Evangelho).

Não deixa também de pôr em relevo que o Ressuscitado é o mesmo Jesus de Nazaré, que fora crucificado.

E não deixa de ser significativo o lugar privilegiado, ocupado por Pedro no seu relato, como afinal no dos outros Evangelistas.

Como igualmente significante é a tomada de consciência por parte das «mulheres» acerca da sua missão de portadoras da Boa Notícia junto dos Discípulos e de Pedro, o Apóstolo que estava encarregado de confirmar a fé dos irmãos.

Todos estes factos contribuem para a realização do plano da História da Salvação.

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Diz o Catecismo da Igreja Católica :

641. – Maria Madalena e as santas mulheres, que vinham para acabar de embalsamar o corpo de Jesus, sepultado à pressa (por causa da chegada do sábado), no fim da tarde de Sexta-Feira Santa, foram as primeiras a encontrar o Ressuscitado. Assim as mulheres foram as primeiras mensageiras da Ressurreição de Cristo para os próprios Apóstolos. Em seguida, foi a eles que Jesus apareceu : primeiro a Pedro, depois aos Doze. Pedro, incumbido de consolidar a fé dos seus irmãos, vê, portanto, o Ressuscitado antes deles e é com base no seu testemunho que a comunidade exclama : «Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão»(Lc.24/34-36).

Viram um jovem sentado à direita... Não vos assusteis !...

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