Reflexoes e Pensamentos
Jilo
Uma senhora fazia feira há mais de 20 anos pensando nas coisas fresquinhas
que iria levar para o marido, para o filho mais velho, para o filho do
meio, para a caçulinha.
Um dia ela foi surpreendida pela pergunta do feirante: E para a senhora, o que vai levar?
Ela foi até em casa pensando nos jilós que há muitos
anos não comprava, apesar de adorar, ela nunca comprava o danado do jiló
pois ninguém em sua casa gostava.
Nesse dia ela chegou em casa e voltou correndo para a feira e comprou um monte de jiló fresquinho, e preparou com gosto como se fosse para uma rainha, e comeu com mais gosto ainda, sentindo-se a própria rainha.
Quantos jilós deixamos de comer para agradar essa ou aquela pessoa.
Quantas coisas boas deixamos para trás em nome do amor. Quantos sapos
engolimos, e as vezes, até humilhações sofremos calados.
Tudo em nome do amor.
Sei lá que raio de amor é esse, amor de peixe podre, quando mexe
fede, quando frita faz mal.
Tenho andado pelas ruas e continuo vendo as pessoas de olhar baixo, olhos
cansados, semblante pesado, parece que as pessoas estão esperando algo
acontecer para serem felizes.
Ouço muitos suspiros, as pessoas afirmam que se tivessem mais dinheiro,
seriam felizes, se tivessem alguém para amar seriam felizes, se tivessem
um emprego seriam felizes.
De outro lado, vejo pessoas com muito dinheiro com muito medo de perder o que conquistou, com medo de sair na rua, com medo de seqüestro, tomando "sono em caixinhas".
Vejo casais brigando por cada besteira, ciúmes, paranóias, desgaste de relações, filhos abandonados, incompreensão. Gente empregada reclamando do chefe, do salário, do lugar, da cadeira, dos amigos da mesa ao lado...
E, o tempo passando, escorrendo como areia fina pelos dedos, as oportunidades
passam na nossa vida e nem damos bolas, estamos ocupados demais em atender a
esse ou aquele pedido dos outros, estamos nervosos
demais na reclamação, na angústia, na incompreensão
dos outros. Continuamos colocando sonhos malucos em nossa cabeça sem
avisar as partes interessadas.
Por fim, não acreditamos que a felicidade está na nossa porta, que esta dentro de nós agora, que podemos comer jiló quando quisermos, que podemos não querer jiló nessa hora.
Que somos donos do nosso nariz, que se quebrarmos a cara em uma tentativa
qualquer, somos nós que temos que nos levantarmos, tirar o aprendizado
da experiência e tocar o barco.
Olha, a sua vida é um barquinho, sua vontade são os remos,
os desafios são os rios turbulentos. Para avançar seu barquinho
e alcançar um porto seguro (ser feliz) é preciso gostar de seu
barquinho, cuidar dele com carinho.
Imagine se o seu barco estiver com o casco furado?
Você não vai chegar em lugar nenhum.
Por isso, repito sempre aqui, cuide primeiro do seu barquinho (sua vida), quando ele estiver forte, bonito e preparado para vencer os rios, você poderá rebocar todos os que estiverem "perdidos pelo caminho".
Ah! e se você tiver vontade de comer jiló, vá a feira,
escolha os mais bonitos e coma até se lambuzar."