Reflexoes e Pensamentos
O Jovem rico
Por Max Lucado
"Ele é rico. Sapatos italianos. Seu dinheiro está todo
investido. Sua plástica é perfeita. Ele vive como se estivesse
voando... de primeira classe".
Ele é jovem. Afasta o cansaço praticando ginástica
e derrota o envelhecimento com os mais avançados médicos na capital.
É esbelto e de olhos penetrantes. Energia é sua marca registrada,
e a morte se encontra a
uma eternidade de distância. Ele é poderoso. Se você acha
que não, faça-lhe uma pergunta. Você tem perguntas? Ele
tem respostas. Você tem problemas? Ele tem soluções. Você
tem dilemas? Ele tem opiniões. Ele sabe para onde vai, e amanhã
chegará lá. Ele é a novo geração. Portanto,
os velhos que entrem no compasso e se cuidem. Ele domina os três "Ps"
do sucesso: Prosperidade, Posteridade, Poder.
Ele é o jovem rico.
Até hoje, a vida para ele tem sido um tranqüilo passeio por
uma avenida iluminada. Mas hoje ele tem uma pergunta. Será uma preocupação
casual ou um medo genuíno? Não sabemos. Só temos certeza
de que veio em busca de uma orientação.
Para quem estava acostumado a dar ordens, pedir ajuda ao filho de um carpinteiro
parecia estranho. Para um homem de linhagem nobre, não é comum
solicitar ajudar a um desconhecido camponês. Mas sua pergunta não
é uma questão comum.
- Mestre - pergunta - que devo fazer para ter a vida eterna?
As palavras que usa revelam sua incompreensão. Ele pensa que pode obter
vida da mesma forma como obtém as demais coisas, isto é, por seu
próprio poder.
Que devo fazer? Quais são as exigências, Jesus? Qual o ponto
central do problema? Nada de atalhos; vamos direto ao assunto. Quanto preciso
investir para ter certeza de meu retorno?
A resposta de Jesus tinha o propósito de fazê-lo emudecer:
- Se você quer entrar na vida, obedeça aos mandamentos.
Qualquer pessoa com um mínimo de consciência teria, a essa
altura,
entregado os pontos.
- Guardar os mandamentos?
- Guarde os mandamentos! Você sabe quantos são os mandamentos?
Tem lido
a lei ultimamente?
- Tenho tentando, honestamente tenho tentado, mas não posso. Isso seria
o que jovem rico deveria dizer, mas a idéia de tal confissão não
lhe passava pela cabeça. Em lugar de pedir ajuda, ele "apanha lápis
e papel" e pede que lhe seja dada a lista dos mandamentos.
- Quais? - ele "molha o lápis" e franze a testa.
Jesus pacientemente responde:
- Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
"Muito bem", pensa o jovem ao terminar de fazer suas anotações.
"Fiz o teste, agora vamos ver se passei".
"Matar? Certamente não. Adulterar? Bem, nada que um garoto de sangue quente não fizesse. Roubar? Uma pequena extorsão, mas justificável. Falso testemunho? Ah!... vamos adiante. Honrar pai e mãe? Certo. Eu os vejo nos feriados. Amar o próximo como a mim mesmo...?"
- Muito bem - diz ele, sorrindo -, tenho feito tudo isso desde a minha infância.
Com um ar de arrogância e colocando os dedos no cinturão, pergunta:
- Há outros mandamentos que você quer me apresentar?
Como Jesus conseguiu deixar de rir ou de chorar, não sei. A pergunta
que tinha como objetivo mostrar ao jovem rico suas imperfeições
apenas o convenceu de que estava acima de tudo isso. Ele é como uma criança
pingando
água no assoalho enquanto diz à mãe que não esteve
na chuva. Jesus vai direto ao ponto:
- Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus...
As palavras de Jesus deixaram o jovem rico triste e os discípulos confusos.
A pergunta deles é a mesma que fazemos:
- Quem pode, então, ser salvo?
A resposta de Jesus choca os ouvintes:
- Aos homens é isso impossível [...]
Impossível.
Ele não diz improvável. Não diz sequer que é
difícil. Ele diz que é "impossível". Não
há a menor chance. De modo nenhum. Não há brechas. Não
há esperança. Impossível. É impossível atravessar
o Pacífico a nado. É impossível ir a Lua na rabiola de
uma pipa. Você não pode escalar o monte Everest com uma cesta de
piquenique e uma bengala. E, a não ser que alguém faça
alguma coisa, você não tem chance de ir para o céu.
Isso parece muito frio para você? Durante toda a vida, você
tem sido recompensado de acordo com o seu desempenho. Suas notas na escola dependem
do seu estudo. Você recebe elogios de acordo com seu grau de sucesso.
Você ganha dinheiro em função de seu trabalho.
Foi por isso que o jovem rico pensou que o céu estava a um passo
do pagamento que podia fazer. Fazia sentido. Você trabalha duro, cumpre
seus deveres e, num estalar de dedos, sua conta corrente é aumentada.
Jesus diz:
Não é assim. O que você quer custa muito mais do que pode
pagar. Você não precisa de um "curriculum vitae", mas
de um Redentor. Pois "as coisas que são impossíveis aos homens
são possíveis a Deus".
Não esqueça a mensagem central desse versículo: VOCÊ
NÃO PODE SALVAR A SI MESMO. Não pode salvar-se por meio de rituais
apropriados. Não pode salvar-se por meio de doutrina correta. Não
pode salvar-se por meio de momentos de emoção espiritual. A mensagem
de Jesus é muito clara. É impossível ao ser humano salvar
a si mesmo.
Observe que não foi o dinheiro que impediu o jovem rico de ser salvo;
foi sua auto-suficiência. Não foram as posses materiais; e, sim,
a pompa. Não são as elevadas somas em dinheiro; é o nariz
empinado: "[...] quão dificilmente entrarão no reino de Deus
os que têm riquezas!"
Não é somente o rico que tem dificuldades. O intelectual,
o forte, e de boa aparência, o popular e o religioso também têm
o mesmo problema. O mesmo acontece com você, se acha que seu poder ou
piedade o qualifiquem como candidato ao Reino de Deus.
Se você tem dificuldade de entender o que Jesus disse ao jovem rico,
então a descrição que Ele faz do dia do juízo ficará
atravessada em sua garganta.
É uma figura profética do dia final: "Muito me dirão
naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome?
e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não
fizemos muitos milagres?"
Espantoso. Essas pessoas estão diante de Deus exaltando a si mesmas.
A grande trombeta soou, e elas ainda estão tocando suas próprias
cornetas. Em vez de entoar louvores a Deus, cantam em seu próprio louvor.
em vez de
adorar a Deus, lêem seus curriculos. Quando deviam estar caladas, elas
falam. Na presença do próprio Rei, se vangloriam. O que é
pior - sua arrogância ou sua cegueira?
Você não impressiona técnicos da NASA com um avião
de papel. Não se vangloria de seus desenhos a lápis na presença
de Picasso. Não se iguala a Einstein apenas porque sabe escrever H2O.
E você não se vangloria de sua
bondade na presença do Perfeito. "Então lhes direi claramente:
Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós
que praticais a iniqüidade".
Preste atenção. Deus não nos salva por causa daquilo
que fazemos. Somente um deus mesquinho poderia ser comprado com dízimos.
Somente um deus egoísta poderia impressionar-se com nossa dor. Somente
um deus temperamental poderia ficar satisfeito com sacrifícios. Somente
um deus sem coração poderia vender a salvação aos
que pudessem fazer lances mais altos.
E somente um Deus grandioso faz por seus filhos aquilo que eles não
podem fazer por si mesmos.
Esta é a mensagem de Paulo: "Porquanto o que fora impossível
à lei, [...] isso fez Deus enviando o seu próprio Filho".
E esta é a mensagem da primeira bem-aventurança.
"Bem-aventurados os humildes [ou pobres] de espírito [...]"
A jóia da alegria é concedida ao humilde [pobre] de espírito,
e não ao rico e influente. O júbilo divino é recebido mediante
a submissão, e não conferido mediante a conquista. O primeiro
passo para a alegria é um pedido de ajuda, um reconhecimento de destituição
moral e admissão de pobreza interior. Os que experimentam a presença
de Deus declaram sua falência espiritual e reconhecem sua crise espiritual.
Seu guarda-roupa está vazio. Seus bolsos estão vazios. Suas opções
desapareceram. Há muito deixaram de exigir justiça; eles pedem
misericórdia. Eles não se vangloriam. Suplicam.
Eles pedem a Deus que faça por eles o que sem Ele não podem
fazer. Eles viram como Deus é santo e como são pecadores,
e concordaram com a declaração de Jesus de que "a salvação
é impossível".
Ah! A ironia do júbilo divino - nascido no solo ressequido de penúria,
e não no solo fértil da realização.
É um caminho diferente, uma rota que não costumamos tomar. Nem
sempre declaramos nossa fraqueza. Admitir o fracasso geralmente não conduz
à alegria. A confissão completa nem sempre é seguida de
completo perdão. Mas
Deus não se condiz por aquilo que é comum."