O Santo Sudario
Para cientista, Sudário de Turim não é falsificação medieval
Fonte: Lista Exsurge Domini
Transmissão: Vicente Gargiulo
Sexta, 28 de janeiro de 2005, 20h29
O Sudário de Turim, que alguns cristãos acreditam
ser o tecido em que o corpo de Jesus Cristo foi envolvido para ser enterrado,
pode não ser a falsificação apontada por exames científicos
porque, segundo um cientista norte-americano, esses exames foram feitos a partir
de um remendo acrescentado ao manto posteriormente.
O cientista Raymond N. Rogers, do Laboratório Nacional Los Alamos, no
Novo México, publicou um artigo esta semana argumentando que novos testes
para identificação de idade indicaram que os exames realizados
em 1988 foram feitos com um remendo de pano provavelmente costurado sobre o
manto depois de este ter sido danificado num incêndio, em 1532.
O manto de linho, medindo 4,4 por 1,2 metros, traz a imagem, invertida como um negativo fotográfico, de um homem crucificado que, segundo fiéis religiosos, teria sido Cristo.
Uma das relíquias mais disputadas da cristandade, o sudário é guardado a sete chaves na catedral de Turim, na Itália, e raramente é exposto em público. A última vez em que isso aconteceu foi em 2000, e é possível que a próxima não aconteça antes de 2025.
Testes com carbono-14 realizados em 1988 por laboratórios de Oxford, Zurique e Tucson, Arizona, provocaram polêmica ao revelar que o sudário datava de entre 1260 e 1320. Céticos disseram que a relíquia seria uma falsificação, possivelmente fabricada para atrair peregrinações, que representavam um negócio lucrativo na Idade Média.
Mas Rogers, em artigo na publicação científica Termochimica Acta, escreveu: "A tinta encontrada na amostra analisada com carbono-14 não foi utilizada na Europa antes de cerca de 1291."
"Logo, a amostra analisada com carbono-14 não faz parte do tecido original e não é válida para uma análise da idade do manto", ele escreveu no artigo postado na Internet (www.sciencedirect.com).
Rogers disse que um dos testes de determinação de idade, que mede o desaparecimento gradual do composto vanilina no linho, encontrou o composto presente na amostra analisada em 1988, mas não na parte principal do Sudário.
Ele afirmou que tecidos de linho encontrados juntamente com os pergaminhos do Mar Morto, que datam da época de Cristo, tampouco revelam qualquer vanilina.
Rogers estima que o Sudário possa ter entre 1.300 e 3.000 anos de idade.
Os cientistas não conseguem explicar como a imagem foi feita. A maioria concorda que ela não pode ter sido pintada ou gravada.
A Igreja Católica não afirma a autenticidade do Sudário,
que se acredita que tenha sido levado do Oriente Médio para a Europa
durante as Cruzadas, em meados do século 14.
Reuters