Exsurge Domini Formação Católica e Apologética Veritas · Fides · Cultura · Semper
“A verdade não teme a investigação, mas a procura com humildade.” São João Paulo II
Artigo

O Pecado original

 



Autor: Pe. Luiz Uchoa



--------------------------------------------------------------------------------

O pecado original

--------------------------------------------------------------------------------



1. O conceito bíblico de pecado


O primeiro pecado aconteceu quando o homem, pela primeira vez usou mal da liberdade. Isto acontece com cada pessoa no mundo. O entendimento do pecado original na concepção antiga não pode mais ser aceito hoje em dia no sentido histórico de um homem e uma mulher que pecaram e os filhos estão sofrendo as conseqüências. É necessária uma nova compreensão desta verdade bíblica.


É importante, para melhor compreensão desta parte da Bíblia considerar Adão não como um só homem singular, mas como representante de toda a humanidade. O hagiógrafo, ao dizer que "tudo era bom", tinha em vista responsabilizar o homem pela entrada do mal no mundo. Nos primeiros capítulos do gênesis, apresenta o mundo perfeito. Do terceiro em diante, faz quase uma oposição do que disse: isto significa que o homem é inclinado para o mal pela sua própria natureza e nisto está a essência do que se chama 'pecado original'.


Até pouco tempo, se acreditava que o pecado original era uma herança do pecado de um só homem (Adão), o que sempre repugnou que uma criança inocente já nascesse em pecado. Atualmente, se crê e se aplica este conceito ao fato de que a pessoa, ao nascer num mundo onde já há o pecado, embora sem culpa dele, terá esta tendência para fazer o mal, que pode ser superada com a graça de Deus. Visto que o homem é um ser imperfeito, ele poderá vacilar e praticar o mal, e assim o 'pecado' de cada indivíduo vai "contribuindo" para a continuação do mal no mundo.


O Batismo, como se entendia antigamente, servia apenas para 'apagar' o pecado original. Mas não é este o sentido mais adequado deste sacramento. Antes de tudo, o Batismo é uma consagração para dar ao indivíduo condições de vencer a luta contra o mal. Cristo veio diminuir a força do mal com os meios que trouxe, isto é, com a graça que trouxe do Pai. Mas esta força que inclina o homem para o mal sempre existe, embora contra a sua vontade. E é tão evidente que foi personificada como o 'demônio'...


Se todos continuam pecando, o pecado vai aumentando no mundo, ao invés de se acabar, e a situação vai piorando a cada dia, em vez de melhorar. E a tal vitória final do bem, que se espera, como fica? Isto vai depender do esforço de cada pessoa. JC já fez a sua parte e deixou os meios para que cada um fizesse a sua. A promessa divina de que o bem vencerá finalmente é válida e se caminha para isso. Mas a liberdade humana também continua viva e só quando o homem souber utilizá-la devidamente é que o mal perderá terreno. E o uso pleno da liberdade pelo homem só se dará na plenitude.


2. O ponto de vista da ciência


Na perspectiva evolucionista científica, como se explica tudo isto? Há duas explicações:


a) a monogenista, que defende a teoria de ter havido um único casal de homínidas que ultrapassou a barreira da hominização (racionalidade);


b) a poligenista, que acredita terem sido vários os casais que, numa mesma faixa temporal, conseguiram ultrapassar a barreira da irracionalidade para a racionalidade.


O monogenismo tem em seu favor o próprio texto da Bíblia, sobretudo a posição de Paulo em Romanos, 5, 12-15. O poligenismo tem como principal dificuldade para sua aceitação pela Igreja exatamente este texto paulino, pelo conflito que inviabiliza qualquer tentativa de conciliação. Mas é preciso se considerar que São Paulo tem aí neste texto o interesse em opor o pecado existente no mundo com a graça divina: ou seja, se o pecado é grande, a graça é bem maior. Na verdade, ele não quer ensinar um conceito, por exemplo que o pecado original é de um só ou de muitos, mas enfatizar a superabundância da graça sobre o pecado. Entendido assim, para a validade do argumento de S.Paulo não é de necessidade absoluta a premissa de um só autor do pecado. Isto tem sido uma complementação histórico-cultural. Do mesmo modo que a história de Jonas, pelo fato de que JC a repetiu no Evangelho, nem por isso deixa de ser simbólica. Porém, explicar como se deu o pecado original, isto não se pode dizer com absoluta certeza nem no monogenismo nem no poligenismo.

Sobre este conteúdo: este artigo integra o acervo do Exsurge Domini, projeto de Formação Católica e Apologética. Quando o texto reproduzir ou comentar material de terceiros, a fonte original deve ser indicada no próprio artigo.
Continue estudando este tema Veja outros artigos classificados em Cursos Bíblicos.
Ver mais sobre Cursos Bíblicos
Rogerio Hirota

Trabalho com evangelização na Música na Igreja Católica desde Dezembro de 2000 com a minha conversão ao catolicismo. Esses anos de experiência coloco para ajudar outros irmãos através da internet.

Postar um comentário

Deixe seu Comentário: (0)

Postagem Anterior Próxima Postagem