Indulgências - Padre Cleodon



Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: Padre Cleodon
Transmissão: Vicente Gargiulo


Pe. Cleodon - INDULGÊNCIAS


Indulgência é a remissão, diante de Deus, dos pecados que cometemos, mas que guardamos a culpa. Desta maneira, anulamos a culpa e reduzimos o tempo que ficamos no Purgatório.


Ela pode ser parcial ou total, e quem decide isto é Igreja. Somente a Igreja pode concedê-Ia, pois recebeu próprio Cristo esta missão, para favorecer os filhos e filhas de Deus (cf. CIC nº 1471, 1478).


Apesar de ser instrumento de evangelização para a conversão dos pecadores, durante muito tempo, as Indulgências foram usadas para fins não construtivos.


A venda de Indulgências acabou tornando-se abuso na Idade Média e foi uma das grandes responsáveis, pela revolta de Lutero. Das 95 teses que fez, pelo menos 6 apontam para o problema das Indulgências: 1, 4, 8, 27, 50,62...


As pessoas acreditavam que se comprassem indulgências, reduziriam o tempo da sua estada no Purgatório. Também poderiam comprar Indulgências para aliviar a alma que já estivesse no Purgatório e, assim, reduzir a “pena" da alma. Alguns chegavam a acreditar que comprando as indulgências ficariam livres do Inferno e do Purgatório, entrando direto nos Céus. É como se comprassem “pedacinho de terra lá no Céu”. E como era alguns padres que as vendiam, achavam-se garantidos. Com isso, as pessoas praticavam, livremente, todos os pecados, dando mau exemplo, pensavam já estar salvos, e que sua terra celestial já estava reservada.


Tenho que ser sincero: houve abusos, houve e muitos.


Nada justifica a venda das indulgências, tanto é que o Papa João Paulo II, por ocasião da celebração do Ano Jubilar, em 2000, pediu perdão, em nome da Igreja, por todos os “pecados” cometidos por ela.


Hoje, a Igreja concede Indulgências Plenárias ou Parciais em momentos de grande importância, visando a evangelização e a conversão dos pecados, sem nenhum ônus financeiro.


O Catecismo da Igreja Católica (CIC) no nº 1032, diz que “A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitencia em favor dos defuntos (cf. nº 429)”.


O Papa João Paulo II, na sua Bula Mistério da Encarnação, ensina que, para receber a Indulgência, o fiel deve se confessar; participar da Missa; fazer orações em intenção do Papa; Visitar um Santuário, já predeterminado para as Indulgências; visitar doentes, como uma “casa de repouso”, Casa de Tratamento de Portadores de HIV... Não precisa pagar!


Muitos irmãos separados nos criticam veementemente. Sobretudo o período que a Igreja viveu na Idade Média.


Mas devemos esclarecer:


Em primeiro lugar, a Igreja Católica sempre se confessou “Santa e pecadora”. Será que nenhum pastor ou ancião peca?


Em segundo lugar, não podemos julgar o período que a Igreja viveu na Idade Média com a cabeça de hoje. Para entendermos bem esse período, é necessário reportarmos nossas mentes para aquela época e inculturar os costumes, as tradições, as doutrinas e o contexto sócio-político-econômico. Sem isso, seremos completamente parciais e incoerentes em nossos julgamentos.


Em terceiro lugar, muitas igrejas de nossos irmãos separados pregam, hoje as Indulgências. Claro que não com este nome. Esta palavra já gerou preconceito. Mas a idéia é a mesma. Por exemplo, quando uma igreja diz: “Vendam o carro ou a geladeira ou a televisão e tragam o dinheiro para a igreja; entreguem na mão do pastor como oferta a Deus; tenham fé e receberão a Graça que tanto pedem; Quanto maior for a importância que derem, maior e mais rápido receberão a Benção”.


Falam que nós Católicos, cobramos batizados, casamentos e Crisma. No entanto, não exigimos o pagamento de dízimo que eles exigem. Além do dízimo, fazem “coletas” nos cultos e vendem Graças. Fazem novenas e mais novenas intermináveis, para arrancar por meio de “merchandising” o dinheiro do povo pobre e marginalizado, que freqüenta seus cultos.


É! Quem tem telhado de vidro não deve jogar pedra no telhado do vizinho. Não se pode generalizar. Não são todas as igrejas separadas que fazem isso, mas que há igrejas, há.


Padre Cleodon Amaral de Lima


Ex-protestante, ex-obreiro, ex- professor de escola dominical


Retirado de seu livro “A palavra Liberta” – Editora Rideel

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