Porque a Igreja venera os santos?



Fonte: Arquidiocese de Sao Paulo
Autor: Padre Cido Pereira


O mês de novembro para os católicos começa com a memória de todos os santos. Neste dia, todos aqueles homens e mulheres de todas as idades, raças e condições sociais que viveram sua fé até às ultimas conseqüências são lembrados pelos fiéis. Eles são chamados de “santos”, embora este título caiba a todos os batizados, porque a graça batismal os fez santos, filho de Deus, o único santo. Eles são chamados “santos” porque a vocação à santidade, marca registrada de todos os batizados, foi vivida com heroísmo por eles no dia-a-dia da vida. Todos os que estão no céu são santos. O céu está cheio de santos. Neste sentido é impossível contar quantos são. É a multidão de vestes brancas retratada por João no Apocalipse.


Esses santos testemunharam a sua fé derramando seu sangue por Jesus Cristo. São os mártires. Foram os primeiros a ser venerados. Com carinho e respeito, a Igreja Romana correu atrás de seus restos mortais, resgatando-os das arenas, dos locais de suplício e dando-lhes uma sepultura digna. Sobre seus túmulos se celebrava a Eucaristia, costume que permaneceu ao longo dos século, na “pedra d’ara”, onde se conservam as relíquias de um ou vários mártires. Esta pedra d’ara santifica os altares de nossas templos.


Os doze apóstolos, colunas mestras da Igreja são também venerados com muito carinho. E não é para menos. A eles e a seus sucessores cabe a missão de evangelizar o mundo, pastorear o rebanho, santificar seus irmãos.


Outros santos confessaram com heroísmo sua fé com a palavra e a prática das virtudes cristãs. São os santos confessores. Há santos que mergulharam fundo na Palavra de Deus e tornaram-se mestres e doutores, guardiães da santa doutrina. São os santos doutores. Há santas mulheres que consagraram a Deus seus corpos na virgindade. São as santas virgens. Como se vê, eles são muitos e não há condição ou situação de vida que não tenha sido assumida na fé por alguém apaixonado por Jesus Cristo e sua mensagem.


Por que a Igreja os tem em grande estima? Porque a Igreja celebra a memória deles ao longo do ano? Por dois motivos. Para lembrar a todos nós que a vocação à santidade não é privilégio de alguns iluminados, mas destino de todos os que o Senhor fez filhos seus pelo Batismo. E para que nós os imitemos na busca da santidade.


Para que nenhum destes “santos e heróis do povo” seja esquecido é que foi criado o Dia de Todos os Santos. A Igreja já lembrava Nossa Senhora e todos os santos mártires no dia 13 de maio, dia em que o Papa Bonifácio 4º sagrou o Panteon, em Roma. Aos poucos a celebração se estendeu para todos os santos. Muitos peregrinos iam a Roma celebrar a festa. A cidade ficava pequena para tanta gente. Não tinha como alimentar esses peregrinos. Então, o Papa Gregório 4º transferiu a festa de todos os santos para o dia 1º de novembro e fez com que, no ano de 835, ela fosse adotada no reino dos Francos. Hoje a Igreja em todos os cantos da terra lembram-se de todos os santos nesse dia.


Olha aí, José Marcelo. Guardei sua pergunta durante alguns dias para fazer coincidir a resposta com a festa de todos os santos. Espero ter respondido a todas as suas dúvidas, lembrando ainda a você que, por enquanto, o Brasil só tem uma santa: a querida Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Mas outros virão, se Deus quiser. Até porque santos não faltam em nosso querido Brasil que nasceu à sombra da cruz de Jesus Cristo.


Padre Cido Pereira recebe perguntas, mensagens e comentários sobre sua coluna pelo e-mail: padrecido@ig.com.br


Fonte: Arquidiocese de São Paulo

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